Publicado: 23 de fevereiro de 2021, 12:07

Patrimônio Imaterial


LISTA DOS BENS IMATERIAIS RECONHECIDOS PELO GOVERNO DO ESTADO DE SERGIPE

1. Culinária Sergipana

Processo: n0027 000.OOO.32/2009/CEC
Proponente: José Luiz dos Passos
Relatora: Ana Maria Medina
Decreto no 27.720, de 24 de março de 2011
Amendoim Verde Cozido
Lei no 7.682, de 17 de           de 2013.

A valorização do alimento pelo seu caráter simbólico nos traduz a comida enquanto um elemento de identidade cultural. A gastronomia é parte desses processos culturais para entender a nossa identidade. Cada cultura gera uma gastronomia tradicional, com receitas, ingredientes, aromas. Os saberes e fazeres em torno da comida é objeto de registro enquanto património imaterial, e não a comida em si. A mistura dos alimentos e o encontro de diversas tradições culturais fazem a inter-relações entre os aspectos culturais e simbólicos a partir do preparo dos alimentos. O Decreto no 27.720, de 24 de março de 2011, reconhece a queijada, o manauê, a bolachinha de goma, o doce de pimenta do reino, o pé-de-moleque de massa de puba, o beiju de tapioca, o amendoim verde cozido, o macasado e o saroio, como Patrimônio Imaterial de Sergipe e dá outras providências. A Lei no 7.682, de 17 de julho de 2013, toma o Amendoim Verde Cozido Património Imaterial do Estado de Sergipe e dá providências correlatas.

2. Barco de Fogo de Estância

Conselho Estadual de Cultura
Processo: n0031/2013 /CEC
Proponente: Prefeito Municipal de Estância
Relatora: Aglaé D’ÁviIa Fontes
Lei no 7.690 de 23 dejulho de 2013

O barco de fogo é uma alegoria pirotécnica ligada ao ciclo junino dos festejos populares com ocorrência exclusiva na cidade de Estância. A confecção do barco de fogo se dá nos barracões dos fogueteiros onde iniciou do processo. Está associado a uma mistura de carpintaria, engenharia, artesanato, sensibilidade e criatividade, englobando a construção de uma estrutura em madeira cortadas em pedaços milimetricamente marcados para encaixes e apreogamentos. Preferencialmente se utiliza como matéria prima uma madeira denominada Paraíba, por possuir um peso relativamente leve e ter boa resistência.

3. Taieira e São Gonçalo

Processo no. 05407CEC
Assunto: Tombamento da Taieira e do São Gonçalo do município de Laranjeiras/SE
Interessado: Conselheiro: José Severo dos Santos
Procedência: Câmara de Letras e Artes (C.L.A)
Relator: Conselheira Aglaé Fontes
Decreto no. 29.558 de 23 de outubro de 2013.
Obs.: Onde se lê tombamento, lê-se registro.

Os instrumentos de proteção da nossa cultura são quase sempre frágeis e sem continuidade, embora a nossa diversidade cultural tão conclamada atualmente tenha até relevantes instrumentos intencionais de proteção.
Manifestações da tradição africana em Sergipe, que se destaca pela sua continuidade história e importância, sócio-religiosa, onde o sagrado e profano se interligam num encontro do sincretismo Gege Nagô com o catolicismo cristão.

1. O São Gonçalo-dança votina, herança portuguesa na fé religiosa do santo mais louvado da cidade do Amarante, apresenta no canto e na dança forte presença africana não só na existência da séncopa na cadência rítmica da batucada, mas nos volteios ponto em evidência elementos do corpo.

Duas forças culturais ibérica na fé e afro nos cantos danças e celebração, justificam ser o São Gonçalo uma das referências cultural sergipana.
2. A Taieira de Laranjeiras por sua vez, dedicada a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário traz a presença afro não só nos elementos da fé, através dos cultos afro desenvolvidos desde sua fundação por Mãe Bilina cultuando seus orixás, mas também cumprindo as “obrigações”, pois é um folguedo de intenção religiosa.

4. Peregrinação ao Santuário Nossa Senhora Divina Pastora

Processo no. 0033 2014CEC
Assunto: Peregrinação ao Santuário Nossa Senhora Divina Pastora Interessado: Marcos António Santos Silva
Procedência: Câmara de Letras e Artes (C.L.A)
Relatora: Ana Maria do Nascimento Fonseca Medina
Decreto no 28.884, de 29 de setembro de 2014.

Reconhece a Peregrinação ao Santuário Nossa Senhora Divina Pastora, do Município de Divina Pastora, neste Estado, como Património Cultural de Natureza Imaterial do Estado de Sergipe, e dá outras providências.

A Peregrinação ao Santuário

A Peregrinação ao Santuário Nossa Senhora Divina Pastora é um rio de pessoas: são romeiros, promesseiros, devotos. Onde o maior afluente nasce especificamente no terceiro domingo de outubro no átrio da Igreja da Imaculada Conceição na cidade de Riachuelo e toma por completo a rodovia SE160 até a esplanada do Santuário no coração da cidade que tem o mesmo nome, Divina Pastora. Não importa quais sejam as condições climáticas. O que os levam hoje são as correntes e os ventos da fé e da curiosidade, da confiança e da esperança no transcendente. Há mais um meio século de existência, o vento faz parte das manifestação grandiosa e importante para o povo sergipano por agrupar valores antes de tudo religiosos, mesclados com aspectos culturais, antropológicos, sociológicos, étnicos.

5. Procissão Nosso Senhor dos Passos de São Cristóvão

Processo no. 06/2013CEC
Assunto: Procissão de Nosso Senhor dos Passos
Interessado: Paróquia Nossa Senhora da Vitória
Procedência: Câmara de Letras e Artes (C.L,A)
Relatora: Ana Conceição Sobral de Carvalho
Decreto no 29.977, de 06 de abril de 2015

Em primeiro de setembro de 2010, o Presidente da Câmara de Patrimônio Histórico e Artístico do Conselho Estadual de Cultura, conselheiro Luiz Fernando Ribeiro Soutelo, designou Ana Conceição Sobral de Carvalho para relatar o processo de registro da Procissão do Senhor dos Passos, em São Cristóvão, como bem imaterial dc Património Cultural Sergipano.
A autora da propositura foi à conselheira titular, Vice-Presidente do Conselho Estadual de Cultura na época, Ana Maria Nascimento Fonseca Medina. Ana Conceição ressalta o momento em que a diretoria do Museu Histórico de Sergipe na época, desenvolveu e executou o projeto sobre o ato religioso da Igreja Católica, resultando numa exposição didática denominada “Os Sete Passos da Paixão”, com publicação de folder.
Manifestação religiosa com processo de registro aprovado pelo Conselho Estadual de Cultural, aguardando criação e publicação de Decreto Governamental.
As procissões de Senhor dos Passos são realizados aos sábados e domingos, após o carnaval. Os fies normalmente chegam sexta-feira, onde a noite reza-se o Oficio da Paixão de Jesus Cristo seguido da missa.
A festa religiosa é um grande encontro de fiéis que a mais de cem anos, mantém viva essa tradição e fé, sendo uma das maiores em nosso Estado.
O Decreto no 29.977, de 06 de abril de 2015, reconhece a Procissão de Passo, município de São Cristóvão, neste Estado, como Património Cultural de Natureza Imaterial do Estado de Sergipe, e dá outras providências.

6. Batalhão de Bacamarteiros

Processo no. 023/2015/CEC
Assunto: Peregrinação ao Santuário Nossa Senhora Divina Pastora
Interessado: Prefeitura Municipal de Carmópolis
Relator: José Augusto Barreto Dória
Decreto no 30.281, de 29 de julho de 2016.

Grupo Folclórico Batalhão de Bacamarteiros

Grupo Folclórico que surgiu por volta de 1780 nos engenhos de cana-de-açucar dc Vale Cotinguiba, onde os negros brincavam samba-de-roda e atiravam com bacamarte, arma artesanal fabricada pelos próprios negros. O batalhão de Bacamarteiros é a maior manifestação cultural do município de Carmópolis e uma das principais expressões culturais de Sergipe, Até hoje, todos os instrumentos musicais, os bacamartes e a pólvora são fabricados pelo próprio grupo. Para a confecção dos instrumentos musicais é usada madeira de jenipapo, árvore frutífera da região, couro de animais e sementes. Na fabricação da pólvora é utilizado o carvão, feito de imbaúba, cachaça e enxofre, No mês de julho, os componentes do grupo fazem o ritual dc pisa pólvora, mês em que eles festejam os santos do ciclo junino. No São João, o grupo sai pelas ruas do povoado Aguada visitando as residências de moradores, e no São Carmópolis, atraindo uma multidão e mantendo viva uma tradição que atravessa diversas gerações. O grupo tem atualmente cerca de 80 componentes entre homens, mulheres e crianças. Esta manifestação é passada de pai para filho.
O Batalhão de Bacamarteiros do povoado de Aguada é a prova viva da herança africana deixada na região do Vale do Cotinguiba, pois sua dança e sua música são inconfundíveis. Por onde passam, contagiam a todos com sua dança, seu ritmo e sua tradição. O grupo já deixou sua marca em diversos estados brasileiros ao participar de festivais e encontros culturais.


Atualizado: 5 de abril de 2021, 12:29